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Agent Skills

Ferramentas e MCP ampliam o que um agente consegue fazer. As Agent Skills cuidam de outra dimensão: o que o agente sabe fazer bem. São lacunas diferentes. Um modelo de fronteira já vem com um repertório enorme de conhecimento geral, mas não conhece as convenções da sua empresa, o formato que o seu time espera num relatório nem a ordem exata dos passos de um processo interno. Esse é conhecimento de procedimento, e normalmente não está em lugar nenhum que o modelo alcance.

As saídas tradicionais para isso têm custo. Reexplicar o processo a cada conversa é trabalhoso e inconsistente. Colocar tudo no prompt de sistema incha o contexto e atrapalha as outras tarefas. Treinar um modelo sob medida é caro e congela o conhecimento numa versão. Uma Skill é um meio-termo: o procedimento fica escrito num arquivo, versionado como código, e o agente carrega esse arquivo só quando a tarefa correspondente aparece.

Esse “só quando precisa” é o princípio central. O agente mantém em contexto apenas um resumo curto de cada Skill disponível e busca o conteúdo completo sob demanda - a mesma ideia de context engineering que faz o modelo trabalhar leve. Como cada Skill é uma pasta independente, várias podem coexistir e até se combinar numa mesma tarefa, sem que o agente pague o preço de carregar todas o tempo todo.

O nome oficial é Agent Skills (também aparece como Claude Skills), lançado pela Anthropic em outubro de 2025.

Ferramentas e o MCP dão ao agente acesso a sistemas: ele passa a conseguir consultar um banco, chamar uma API, mexer em arquivos. O que eles não fazem é ensinar o jeito de executar uma tarefa.

Um exemplo: você quer que o agente gere o changelog do projeto sempre no mesmo formato, lendo os commits de um jeito específico, ignorando certos tipos de mudança e agrupando o resto por área. Sem um lugar para guardar esse procedimento, você reexplica tudo a cada nova conversa. E quando outra pessoa do time vai usar o agente, ela não tem esse contexto.

Uma Skill empacota esse conhecimento de processo num formato que o agente carrega sozinho quando a tarefa aparece.

Uma Skill é uma pasta com instruções, e opcionalmente scripts e outros arquivos de apoio, que o agente lê quando precisa. A comparação que a Anthropic usa é a de um guia de integração que você escreveria para alguém novo no time: o passo a passo, as convenções, os exemplos e o que evitar.

Três características ajudam a entender o encaixe:

  • Roda dentro do ambiente que o agente já tem (sistema de arquivos e execução de código), sem subir um serviço separado
  • É só uma pasta, então compartilhar é colocar num repositório Git e mandar o link
  • Pode trazer código pronto para o agente executar, não só texto

Toda Skill tem, no mínimo, um arquivo SKILL.md na raiz da pasta. Ele começa com um bloco de frontmatter YAML com dois campos obrigatórios:

---
name: gerar-changelog
description: Gera o changelog do projeto a partir dos commits, agrupado por área. Use quando o usuário pedir changelog, notas de versão ou release notes.
---
# Gerar changelog
## Instruções
1. Rode `git log` desde a última tag...
2. Ignore commits de tipo `chore` e `test`...
## Exemplos
...

Regras dos campos:

  • name: até 64 caracteres, só letras minúsculas, números e hífens
  • description: até 1024 caracteres, não pode ser vazio, e precisa dizer o que a Skill faz e quando usá-la (é esse texto que o modelo usa para decidir se aciona a Skill)

Abaixo do frontmatter vem o corpo em Markdown normal: o fluxo de trabalho, as regras, o formato de saída, exemplos e restrições. Se a Skill precisa de mais material (um guia detalhado, um schema de banco, um script), esses arquivos ficam na mesma pasta e são citados pelo nome dentro do SKILL.md.

gerar-changelog/
SKILL.md instruções principais
FORMATO.md o template detalhado do changelog
scripts/
agrupar.py script utilitário

Progressive disclosure: carregar só o necessário

Seção intitulada “Progressive disclosure: carregar só o necessário”

Uma Skill poderia ser grande, com dezenas de arquivos de referência. Se tudo isso entrasse no contexto de uma vez, sobraria pouco espaço para o resto. O mecanismo que evita esse problema é a divulgação progressiva (progressive disclosure): o agente carrega a informação em camadas, só quando precisa.

flowchart TD
    N1["Nível 1 - Metadados<br/>name + description de cada Skill<br/>carregado sempre, ~100 tokens por Skill"]
    N2["Nível 2 - Instruções<br/>corpo do SKILL.md<br/>carregado quando a Skill é acionada"]
    N3["Nível 3 - Recursos e código<br/>arquivos e scripts extras<br/>carregado só quando referenciados"]
    N1 -->|pedido casa com a description| N2
    N2 -->|instrução aponta para outro arquivo| N3

Na prática:

  • No começo da conversa, só o name e a description de cada Skill instalada ocupam contexto. Dá para ter muitas Skills sem pesar
  • Quando o pedido casa com a descrição, o agente lê o SKILL.md inteiro (normalmente abaixo de 5 mil tokens)
  • Arquivos extras só são abertos se a tarefa pedir. Um arquivo de referência que ninguém consultou custa zero
  • Scripts são um caso à parte: o agente executa o script e recebe só a saída. O código em si nunca entra no contexto, o que é bem mais econômico do que pedir para o modelo gerar o mesmo código na hora

Não é o usuário que aponta qual Skill usar. O modelo compara o pedido com a description de cada Skill disponível e, se bater, aciona sozinho. Por isso a description é a parte mais importante de escrever bem: uma descrição vaga faz a Skill nunca ser acionada, ou ser acionada na hora errada.

Depois de carregada, a resposta do agente segue o que a Skill define: o formato de saída, o tom, a sequência de passos. É esse “seguir o playbook” que dá a repetibilidade.

Vale notar que as Skills não substituem as ferramentas nem o MCP. Uma Skill pode, no meio das instruções, mandar o agente chamar uma ferramenta ou rodar um dos seus próprios scripts.

MCP e Skills resolvem problemas diferentes e funcionam juntos.

AspectoMCPSkills
O que entregaalcance: conexão com sistemas externos (banco, API, outro software)know-how: o procedimento e o formato de uma tarefa
Como rodaum servidor separado, falando um protocolouma pasta lida dentro do ambiente do agente
Escolha quandoo agente precisa alcançar algo que não acessa nativamentevocê quer padronizar como uma tarefa recorrente é feita
Público típicoquem monta a infraestruturaquem define o processo

A frase que resume: o MCP dá alcance ao agente, as Skills dão know-how. Uma Skill de “fechar o mês financeiro” pode descrever o passo a passo (know-how) e, nos pontos certos, usar as ferramentas de um MCP server de contabilidade (alcance).

O formato da pasta é o mesmo em todo lugar, mas a instalação e o ambiente mudam conforme o produto:

  • Claude Code: a Skill é um diretório em ~/.claude/skills/ (pessoal) ou .claude/skills/ (do projeto). O agente descobre sozinho. Aqui a Skill tem acesso total à rede, como qualquer programa na sua máquina
  • API do Claude: as Skills rodam junto com a ferramenta de execução de código, num contêiner isolado sem acesso à rede. Você sobe suas Skills pela API de Skills
  • claude.ai: upload de um .zip nas configurações, disponível nos planos pagos com execução de código ligada. A Skill é individual de cada usuário

Um detalhe que pega: Skills não sincronizam entre esses ambientes. Uma Skill enviada para o claude.ai não aparece na API nem no Claude Code; cada superfície é gerenciada à parte.

Como uma Skill carrega instruções e código que o agente vai executar, ela tem o mesmo peso de instalar um programa. Uma Skill maliciosa pode mandar o agente vazar dados ou rodar comandos fora do propósito declarado.

A recomendação da Anthropic é direta: use só Skills que você mesmo escreveu ou que vieram de uma fonte confiável. Se precisar usar uma de origem desconhecida, leia todos os arquivos antes, incluindo os scripts, e desconfie de Skills que buscam conteúdo de URLs externas.